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NUMISMA LEILÕES n.º 123, dia 30 de Junho de 2020

 
Desde março passado, a imposição de medidas de confinamento obrigatório aos cidadãos e a travagem brusca da atividade económica nos diversos países atingidos pela pandemia da COVID-19, afetou naturalmente o comércio numismático, tendo-se assistido, desde então, à suspensão sine die ou ao deferimento para datas bem mais tardias de diversos leilões e outras vendas de objetos numismáticos pela generalidade das empresas nacionais e estrangeiras da especialidade. Em Portugal, entre março e maio esta atividade terá parado, constituindo uma das poucas exceções a 76ª Permuta da S.P.N., programada para o dia 26 de março, que foi possível realizar por se tratar de uma permuta por correspondência, formato que permitiu a sua concretização sem contrariar as regras do estado de emergência então em vigor.

Já a empresa Numisma Leilões, S.A., que tinha o seu 122º leilão calendarizado para 30 de março passado, por se tratar de um leilão presencial, teve de ser adiado para o dia 3 de junho, tendo decorrido apenas online.

O anúncio do leilão n.º 123, agendado para o próximo dia 30 (3ª feira) do corrente mês, também a realizar apenas online, vem confirmar uma retoma responsável das atividades desta importante casa-leiloeira portuguesa, em alinhamento com a atuação das mais renomadas firmas internacionais da especialidade. Assinale-se positivamente que, mesmo tratando-se de um leilão online, a Numisma S.A. manteve a produção e a distribuição pelos seus clientes e amigos de um catálogo impresso, com a mesma qualidade dos seus afamados catálogos que sempre acompanharam a realização de todos os leilões presenciais. A participação no leilão em apreço pode ser efetuada através do preenchimento da tradicional ordem de compra que acompanha o catálogo impresso ou da licitação online nas conhecidas plataformas bidspirit ou bidinside, onde, após uma fácil inscrição individual, todos os interessados poderão seguir passo a passo o leilão.

Neste evento são apresentados 434 lotes, maioritariamente de moeda de Portugal e antigas colónias (lotes 11-376), mas também com numismas do mundo antigo (1-10), de diversos países estrangeiros (377-400) e um importante conjunto de bibliografia (402-34), onde merecem destaque alguns lotes, de especial raridade, dedicados a estudos falerísticos (p. ex., os lotes 405, 406, 407 e o raríssimo lote 434, de Manuel Iñigo y Miera, sobre a história das ordens de cavalaria).

Como é timbre nos leilões da Numisma S.A., uma significativa parte dos lotes é constituída por moeda de ouro, para além da presença de várias raridades que contribuíram para a grande acolhimento entre todos os colecionadores e interessados por numismática e, consequentemente, para a história de sucesso desta empresa lisboeta.

Nesta singela notícia não cabe uma referência pormenorizada a todos os espécimes de assinalável raridade, valor histórico e artístico, recomendando-se por isso a consulta atenta do belo catálogo (com todos os lotes ilustrados) que acompanha este leilão. Aqui faremos apenas referência aos lotes que despertaram em nós uma atenção especial ou que, pela seu elevada raridade, são de menção obrigatória, abrindo esta relação com duas peças de inegável raridade e interesse, pertencente à bem representada 1ª dinastia: um raro dinheiro de Afonso Henriques, da série com pentagrama no reverso (12) e um magnífico morabitino de Sancho I (13), moedas que despertarão  os olhares de alguns colecionadores; entre o ouro da 2ª dinastia, o destaque vai para os cruzados de Afonso V (60 e 61), o segundo em invulgar estado de conservação, João II (70) e João III (88-89), bem como para o S. Vicente e 1/2 S. Vicente deste monarca (86-87); na moeda de prata, devemos registar, dois exemplares, em diferentes estado de conservação, do meio real de 3 e 1/2 libras, P, muito raros, de João I(51 e 52), um real grosso, L, de Afonso V (62) e um cinquinho, sempre muito procurado, de Manuel I (83); uma menção especial, é devida aos 500 reais, do período dos Governadores do Reino (125), exemplar raríssimo, assim como o tostão (coroa fechada), não se conhecendo mais do que meia dúzia de exemplares (126). Entre o numerário da dinastia filipina sobressai a peça de 4 cruzados de Filipe II (136), da antiga coleção Celso Isla, muito rara e em excelente estado de conservação.

Nos lotes respeitantes à 4ª dinastia devemos desde logo chamar a atenção do leitor para os exemplares em ouro, sempre muito procurados, mas o interesse deste conjunto de lotes não se fica por aqui, já que está bem recheado por diversos espécimes "apetecíveis" para qualquer colecionador, como: o tostão 1641, L-C, de João IV (144), da mais alta raridade, o curioso e raro ensaio de vintém, em prata, de Pedro II (187), ou a soberba dobra, 1731, do magnânimo João V (193), grupo que podemos abrilhantar com a fantástica meia peça, 1805, de João Príncipe Regente (241), os 5000 réis, 1835, de Maria II (273) e os 2000 réis, 1870, de Luís I (300), exemplares que muito excecionalmente podemos encontrar em simultâneo num único leilão.

No recheado conjunto de lotes da República encontram-se os icónicos 50 centavos de 1925 (319) e os 20 centavos de 1922 (320), seguido pelo numerário das antigas colónias portuguesas, onde pontifica a amoedação da Índia portuguesa com a roda de 15 bazarucos, de João V (356), de muito difícil aquisição, os sempre raros exemplares São Tomé de  4 xerafins, 1766, e 5 xerafins, 1755 (de Damão), de José I (357 e 361) e o ½ pardau, 1755, e tanga, 1751, do mesmo reinado (359 e 360); um palavra também para o raro canelo moçambicano, 1843, de Maria II (371), que integrou a antiga coleção Barbas.

Antes dos lotes finais do leilão, já referidos, reservados a publicações de numismática e afins, podemos apreciar um bom conjunto de moeda estrangeira (377-400), fundamentalmente de ouro e em grau de conservação elevado, oriunda de diferentes países, como a África do Sul, Austrália, México e Reino Unido, cuja aquisição é sempre um bom investimento.

Pelo que fica dito sobre a qualidade deste leilão, com uma significativa presença de moedas de elevada raridade, cumpre-nos aconselhar todos os colecionadores e interessados a participar nesta venda pública com a chancela da Numisma S.A., a quem felicitamos por mais esta iniciativa que, se espera, contribua para reanimar o mercado numismático nacional.

 
RC

#EstamosON

NUMISMA LEILÕES n.º 120, dia 23 de outubro de 2019

Dentro de dias, em 23 de outubro, vai acontecer mais um importante leilão de moedas, medalhas, papel-moeda e bibliografia numismática, num total de 652 lotes, organizado pela NUMISMA LEILÕES, no Hotel 3K Europa, em Lisboa. O evento é apresentado num esmerado catálogo com a ilustração de todos os lotes, complementado por 8 estampas com magníficas fotografias ampliadas dos principais destaques deste leilão.

Cabe aqui uma especial referência à origem de grande parte dos lotes presentes neste leilão: integravam a coleção do emérito e multifacetado Numismata, José Rodrigues Marinho, conhecido internacionalmente sobretudo pelas suas pesquisas na área da Numismática Islâmica, como bem saliente Alberto Canto na introdução bio-bibliográfica que escreveu no respetivo catálogo.

O leilão abre com 57 lotes reservados ao Mundo Antigo, com um interessante conjunto de moedas romanas (1-33), hispano-romanas (34-55), um solidus bizantino (56) e um tremissis, atribuível ao rei visigodo Leovigildo (57).

A numismática muçulmana tem uma preponderância especial neste leilão, refletindo bem os interesses do proprietário da coleção, José Marinho, aqui representada por um número significativo e pouco usual, nos leilões nacionais da especialidade, de lotes de moedas muçulmanas de ouro e prata (58-182), essencialmente do al-Andalus, que muita curiosidade irá despertar entre os colecionadores e aficionados de moeda islâmica. Neste grupo sobressaem dois belos dinares almorávidas, um em nome de Ali Ibn Yusuf (63) e outro de Tasfin ibn Ali (70), cunhados em Marrakush, 522 e Al-Mariyah, 539, respetivamente, e dois quirates únicos também de Tasfin ibn Ali (174 e 177) e um terceiro, raríssimo, de Abu Talib al-Zuri, com o atrativo de proceder da casa da moeda de Beja, 1144-45 (180), portanto, de particular interesse para os colecionadores portugueses.

A numismática nacional arranca com moedas da I Dinastia (183-208), onde “brilha” um magnífico Real de D. Fernando I (193), que pertenceu à famosa coleção Niepoort, a par da raríssima Barbuda -P, também fernandina (200), cunhada na “Cidade Invicta”, de que se conhecem apenas mais 3 exemplares. A II Dinastia também se apresenta recheada de preciosidades, sendo as nossas preferidas: o Real de Dez Soldos P/P-O (210), do fundador da Dinastia de Avis, e o raro Tostão L-V (1º Tipo), de D. João III (248), em assinalável bom estado de conservação. Na dinastia filipina, salientamos os raros XX Reais, de Filipe I (286) e o Tostão LB, rodeado por pontos, de Filipe II (287), moeda única com a particularidade de estar reproduzida no catálogo de A. Gomes. Na última dinastia, a melhor representada com perto de centena e meia de lotes (293-427), encontramos uma boa quantidade de exemplares de grande raridade e, por isso, muito difíceis de adquirir no comércio da especialidade. O nosso destaque vai para: o belo Cruzado, E (295), de D. João IV, muito bem acompanhado por outra raridade que é o Tostão 1641, L-C (296), do mesmo monarca; seguem-se a Dobra de 1732 M, com serrilha de corda (317), o Meio Dobrão 1725 M (320) e a soberba Meia Peça 1732(333), todas de D. João V; de Maria I e Pedro III, é obrigatória a referência à rara Meia Peça 1781 B (392) e de D. João VI, será também de ter atenção na Meia Peça 1818 (413).

A Madeira bem representada por uns soberbos e raros V Reis 1850, de D. Maria II (430). Prossegue o leilão com a numária da Índia Portuguesa, onde são “highlights” as 4 Tangas 1635, M-A/D-M, de D. Filipe III (432), os sempre procurados 12 Xerafins 1769, Goa, de D. José I (438) e os Ensaios de 10, 5 e 3 Réis, todos de 1834 (451-53), portanto do reinado de Maria II; de Moçambique existe apenas um lote mas de referência obrigatória: os raríssimos 800 Réis 1735, G-A, do tempo de D. João V (456), em estado de conservação nada usual.

A moeda estrangeira está presente, quase na totalidade, com exemplares de ouro, onde merecem referência um lindo Marabetino, de 1199, cunhado por Alfonso VIII (478) e um muito raro exemplar de 2 ½ Céntimos de Escudo, 1866, da casa da moeda galega de Xuvia (Juvia), do reinado de Isabel II (479).

Segue-se um importante e extenso conjunto de medalhas (482-558), algumas valiosíssimas, onde tivemos dificuldade para selecionar os destaques a registar nestas linhas, considerando a abundância de exemplares de alta qualidade e raridade presentes neste leilão: comecemos pela excecional Medalha da Rosa (482), de ouro, que os organizadores do leilão dizem ser o único exemplar que conhecem; uma segunda referência para as duas medalhas, de ouro, dedicadas à Infanta D. Catarina de Bragança, por ocasião do seu casamento com rei Carlos II de Inglaterra (483 e 485); depois temos outras duas preciosidades, de ouro, do reinado de D. José I, uma que recorda a tentativa de atentado contra este monarca (497) e outra comemorativa da inauguração da estátua equestre de D. José (502); também a merecer realce são as medalhas de ouro, de Maria I e Pedro III, uma comemorando a fundação da Igreja do Santíssimo Coração de Jesus (504), outra dedicada à memória de Camões (506); finalmente, a fantástica medalha de ouro, de que se cunharam apenas 3 exemplares e da autoria do escultor Simões de Almeida Sobrinho, que comemora o primeiro centenário da Guerra Peninsular (555).

Os lotes finais deste leilão não significam que o seu interesse seja menor, como facilmente se deteta ao compulsar o respetivo catálogo, quando deparamos com cerca de meia centena de notas portuguesas, onde uma boa parte são exemplares de grande raridade e elevado valor. Só para aguçar a curiosidade dos nossos leitores, diga-se que, entre as cinco dezenas de notas (559-608), encontram-se preciosidades como, por exemplo, os 10.000 Réis, 21.3.1882, s/chapa (577), os 20.000 Réis, 15.9.1891 (583), os 50.000 Réis, 17.6.1889 (590) e os 50.000 Réis, 18.10.1898 (591).

O leilão encerra com um bom conjunto de lote de livros de numismática da biblioteca de José Rodrigues Marinho, com uma boa, e óbvia, presença de obras dedicadas à numismática islâmica. Contudo, o nosso destaque neste capítulo vai para a rara obra de Bento Morganti, publicada em Lisboa, no ano de 1737.

Em suma, estamos perante mais um leilão com exemplares de alta qualidade, raros e valiosos, características que têm pautado as vendas públicas organizadas pela Numisma Leilões a que nos cumpre saudar e agradecer pelo relevante contributo que vem dando à promoção da Numismática, desde o colecionismo ao associativismo nesta área.

RC

NUMISMA LEILÕES n.º 119, dia 25 de setembro de 2019

A 25 de setembro, a partir das 15:30 Horas, no Jupiter Lisboa Hotel, vai decorrer mais uma venda pública da Numisma Leilões (n.º 119), com apenas 284 lotes. Relativamente "à norma" nos leilões desta casa lisboeta, o número de lotes agora apresentado é muito inferior mas tal não significa que o presente leilão terá menos qualidade e interesse. Muito pelo contrário, são apresentadas moedas que muito raramente aparecem no mercado numismático e, por isso, estamos certos que a realização desta venda será muito participada.

Dos 284 lotes, 96 são de moeda de ouro (à exceção do lote 96) portuguesa, e estrangeira, sendo os restantes 188 lotes reservados a medalhas, sobretudo, de Portugal mas também de outros países. sabendo-se que algumas das peças a leiloar, pertenceram às coleções de Pedro Batalha Reis e de Salomão Seruya.

Nos primeiros 96 lotes de moedas encontram-se verdadeiras preciosidades, com realce para as "5 magnificas", feliz designação de Javier Salgado no Prefácio do catálogo, ao referir-se aos cinco exemplares de alta raridade e em estado de conservação de MBC* a Soberbas, que merecem no catálogo uma ilustração e textos específicos para cada uma. As peças em questão são também as nossas preferidas: um belo Morabitino de Sancho I (n.º 10), uma espetacular Dobra Gentil de Fernando I, um raríssimo Justo de João II (n.º 12), que pertenceu ao ilustre numismata Pedro Batalha Reis, desconhecido até hoje e não referenciado em estudo recente sobre este tipo de moedas, um Engenhoso, sem data, de Sebastião I (n.º 14), moeda muito apreciada e procurada e, por último, os 500 Reais de Henrique I (n.º 15), de extrema raridade. É muito difícil em um mesmo leilão aparecerem cinco moedas como estas, de elevada raridade e interesse histórico e colecionístico, verdadeiras peças de museus!!!

Mas, para além das "5 magníficas", encontramos um conjunto de nove lotes com moedas visigodas (n.º 1-9), a maior Belas e Soberbas, batidas em diversas casas da moeda, localizadas em território espanhol. Segue-se um significativo elenco de moedas de ouro (n.º 16-78), impressivo estado de conservação, emitidas entre Pedro II e Luís I, onde se encontram exemplares como o Dobrão, 1726M (n.º 17), o Meio Dobrão, 1727 M (n.º 24), juntamente com um boa diversidade de Peças até Maria II, bem como exemplares de Pedro V e Luís I.

A moeda estrangeira (n.º 78-96) está representada por numismas de ouro, entre outros países, da África do Sul (n.º 79-85) e Inglaterra (n.º 92-4), sempre muito apreciadas.

A "segunda parte" deste leilão foi reservada à medalhística, fundamentalmente portuguesa ou referente a Portugal (n.º 97-280), seguida por quatro medalhas inglesas em ouro de grande valor (n.º 281-84). Entre o primeiro grupo, encontra-se uma medalha de ouro, fundida no século XVIII (n.º 97), que replica a original Medalha da Rosa, dedicada a D. Leonor, emitida no século anterior, de que não se conhecem exemplares em ouro. Também são dignas de destaque a raríssima de medalha de ouro comemorativa da inauguração da Estátua Equestre de D. José I, de 1775 (n.º 98) e a bonita peça em nome de Pedro V, que tem por mote, a máxima ciceroniana, HONOR ALIT ARTES (n.º 99), a que se segue um interessante diversificado conjunto em prata e outros metais.

Enfim, não é muito elevado o número de lotes deste leilão mas, o grupo de peças muito valiosas de grande valor histórico muito dificilemte se encontrará em outros leilões, daí a especial importância deste evento numismático que, acompanhado por um belo catálogo, muito dignifica a Numisma Leilões.

Numismática a crescer na Península Ibérica

Depois de um período de abrandamento, a numismática em Portugal e em Espanha volta a animar o mercado. Javier Salgado, CEO da leiloeira Numisma, retrata um setor, onde o ouro continua a ser o produto mais apreciado, e aponta quais as moedas mais apetecíveis do período republicano..

Texto: Susana Marques smarques@ccile.org | Fotos: Sandra Marina Guerreiro sguerreiro@ccile.org.

O Marquês de Pombal mandou guardar duas moedas por cada nova cunhagem feita”, conta Javier Sáez Salgado, CEO da Numisma, empresa pioneira em Portugal na organizaçãode leilões de moedas, exemplificando assim que o cuidado queem Portugal se tem com a numismática vem de longa data. “Portugal possui uma enorme riqueza histórica nesta área, estando entre os paísesdetentores das mais variadas numárias do mundo. Possuímos coleções muito boas e completas, que refletem isso mesmo”, acrescenta o especialista que fundou a Numisma em 1976, materializando uma paixão que já lhe vinha da infância: “Sempre gostei de olhar para as moedas. A numismática exige essa paixão. É preciso vivê-la…
Estudar, analisar e sentir as moedas de todo o mundo, conhecê-las bem...

Quando se conseguem licenças para as visualizar nos museus e coleções particulares, quer em Portugal quer nos mais importantes museus existentes por esse mundo fora, especialmente, com moedas portuguesas, passados 45 anos de estudo ficamos com um profundo conhecimento das mesmas.” A Numisma tem uma forte presença no mercado ibérico e associa uma componente empresarial a uma missão cultural, tendo sido responsável pela apresentação de exemplares únicos e raros da História de Portugal, organizando palestras, importantes leilões e editando livros sobre numismática.
O mercado de numismática e medalhística está a atravessar uma boa fase em Portugal e em Espanha, constata Javier Salgado, que é também consultor nesta área em várias instituições:
“Está muito bem a numismática atualmente. Há coleções muito boas em Portugal. Continua a ser uma área de investimento de um nicho de mercado, no entanto há milhares de transações de moedas e de medalhas a acontecer todos os dias. A classe média é muito importante para este setor. Nos anosn da crise e da intervenção da Troika houve um arrefecimento, mas nos últimos anos tem melhorado.”

O especialista comenta que em Portugal e no resto do mundo o que verdadeiramente move os grandes colecionadores são “as moedas de ouro, com efígie dos monarcas, de preferência em soberbo estado de conservação, bem como todas as moedas cunhadas em metais nobres”. Continuam a ser estas moedas “o melhor investimento,já que são as que mais se valorizam no universo da numismática”.

No entanto, a numismática em Portugal conta histórias mais antigas. Quadrante, Semis, Triente, Asse e Dupondio são alguns dos nomes das mais antigas moedas conhecidas emitidas em território português, quando Portugal ainda não era um reino independente. As mais antigas são Hispano-romanas e datam dos séculos II e I A.C., altura em que a Hispânia (formada por várias províncias, incluindo a Lusitânia) integrava o Império Romano. Dessas moedas, batidas em chumbo, cobre, prata e bronze, conhecem-se poucos exemplares, estando a maioria em museus ouem coleções de instituições particulares, como por exemplo as do Novo Banco e do Millennium bcp.

O mesmo sucede com as pré-nacionais Suevas (séculos V e VI), Visigodas (anos 584 e 711) e Muçulmanas (1144-1151). “Ultimamente não se têm encontrado novas moedas pré-nacionais”,esclarece Javier Salgado, acrescentando que as moedas da monarquia também “são raras e quem as tem não as vende”. Porém “quando são colocadas à venda, o seu valor aumenta”, confirma, salvaguardando que “quem coleciona moedas deverá ter em mente que está a investir num bem que só se valoriza significativamente a médio e/ou a longo prazo”. Trata-se de “um bem que perdura e não desvaloriza”, refere Javier Salgado, observando que não se tem verificado qualquer desvalorização, ao contrário de outros tipos alternativos de investimento.
Acresce que “a numismática se está a desenvolver muito em todo o mundo e têm aparecido novas moedas no mercado, principalmente do período Greco-romano, de ouro e prata, muito valiosas”. Javier Salgado nota que “o mercado está muito animado” e que no estrangeiro, “há leilões de numismática a atingir muitos milhões de euros”.

 
O CEO da Numisma explica que “o que faz oscilar o valor de uma moeda é sobretudo a sua raridade, o seu estado de conservação e também o valor do ouro, que tem uma importância psicológica no investidor e no colecionador”.
A moeda mais cara que vendeu foi um Justo de ouro, da Casa da Moeda do Porto, (século XV) do reinado de D. João II, em 2014, que chegou aos 205 mil euros. Imediatamente a seguir na escala de valor em leilão, a mais cara foi um Escudo de ouro (século XV) de D. Afonso V (pai de D. João II), em 2000, vendida por 150 mil euros.
O Dinheiro foi a primeira moeda, (bolhão – prata e cobre) cunhada pelo Reino de Portugal, ainda no reinado de D. Afonso Henriques,uma época em que ainda circulavam moedas romanas e muçulmanas. A primeira moeda de ouro portuguesa foi o Morabitino, mandada cunhar por D. Sancho I (século XII). Os Morabitinos e alguns Dinheiros são muito raros. Atualmente, um morabitino poderia chegar aos 20 a 25 mil euros, como sugere a página web da Numisma: “Durante 1950, apareceram três em leilões, vendidos entre 2.500$00 e 2.750$00…

Hoje, para moedas destas – muito difíceis de encontrar, de que não consta haver achados no terreno, representativas do nascimento do nosso país, de muito bom desenho e gravura medieval, equivalentes a uma joia antiga, de apreço, mas uma joia autêntica, e que só aparecem na rotação imprevisível das coleções que as detêm (e metade estão em museus) –, um preço mil vezes superior ao de há meio século para um exemplar do tipo normal, o mais comum, sem variantes que o individualizem, não é excessivo, (hoje – em 2019 – muito mais). Acresce que, moedas destas, são reconhecidas como valores de investimento a prazo”. Até à regência de D. Pedro, foram cunhados vários outros exemplares de moeda, manualmente (moedas batidas a martelo), já que a cunhagem mecânica só começa em 1677, com este príncipe regente (mais tarde rei D. Pedro II).

As primeiras notas transacionáveis em Portugal foram feitas durante o reinado de D. Maria I, designadas pelas apólices pequenas do Real Erário, mais tarde as do Banco de Lisboa e, também, de bancos e empresas particulares e em 1846 com a fusão do Banco de Lisboa e da Companhia Confiança Nacional surge o Banco de Portugal com o privilégio exclusivo de emitir notas. “Existem ainda algumas de 50 mil, de 20 mil e 10 mil reis, da época dos reis D. Luís e D. Carlos, mas são muito raras e é muito difícil encontrar exemplares em bom estado”, indica.
A raridade e o preço explicam a razão pela qual a maioria dos colecionadores começa pelo período republicano a sua coleção e depois vai recuando. “Há um boom de vendedores de rua, com moedas da República. No entanto, as raras e mais caras não aparecem nesses contextos”, frisa Javier Salgado, dando uma lista dos exemplares mais valiosos:

“Um centavo, em cobre, de 1922(conhecem-se apenas seis exemplares); cinco centavos, também em bronze,de 1920 e 22; 10 centavos de 1970, que são raríssimas e cujo valor ronda os cinco a sete mil euros; os 50 centavos, de 1925, em bronze-alumínio, uma moeda que chega aos sete mil euros,se tiver flor-de-cunho; um escudo, de 1935, em alpaca, avaliado em cerca de quatro a cinco mil euros, também perfeitamente novo e com o brilho original; 2,50 escudos, de 1937, que pode valer 750 euros”. Javier Salgado esclarece que as moedas portuguesas também atraem o interesse de colecionadores estrangeiros,nomeadamente de espanhóis, já que “algumas moedas da monarquia, principalmente de D. Fernando I e de D. Afonso V têm referências a Espanha, ou foram cunhadas em oficinases panholas” (alguns reis cunhavam moeda em território espanhol, para afirmar assim o seu poder).

Relativamente às edições de moeda comemorativas, Javier Salgado esclarece que “a valorização destas moedas está relacionada com o tema em si escolhido, que pode ser extensivo a outros países, à beleza da peça para o que é importante um bom escultor, à quantidade (emissão) de exemplares cunhados, incluindo o seu acabamento e à valorização do metal utilizado”.
Outra área que está também a ser dinamizada é a da medalhística, informa Javier Salgado, acrescentando que “nos últimos três anos, este segmento conheceu um novo alento”.
No próximo mês de outubro, “a Numisma vai leiloar uma excelente coleção de medalhas portuguesas, de ouro e prata dos séculos XVII, XVIII e XIX da mais alta raridade, únicas ou das quais se conhecem apenas duas ou três ”, revela o CEO da leiloeira. A coleção em causa inclui “a denominada Medalha da Rosa, que reporta à Infanta Dona Leonor, feita no século XVII pelos judeus ourives de Praga, e também uma medalha de ouro comemorativa do Centenário da Guerra Peninsular da qual foram emitidas apenas três exemplares”. Previsto está igualmente o leilão de um conjunto de notas que incluem exemplares dos reinados de D. Luís I e de D. Carlos I e da República.
 
No próximo mês de outubro, “a Numisma vai leiloar uma excelente coleção de medalhas portuguesas, de ouro e prata dos séculos XVII, XVIII e XIX da mais alta raridade, únicas ou das quais se conhecem apenas duas ou três ”, revela o CEO da leiloeira. A coleção em causa inclui “a denominada Medalha da Rosa, que reporta à Infanta Dona Leonor, feita no século XVII pelos judeus ourives de Praga, e também uma medalha de ouro comemorativa do Centenário da Guerra Peninsular da qual foram emitidas apenas três exemplares”. Previsto está igualmente o leilão de um conjunto de notas que incluem exemplares dos reinados de D. Luís I e de D. Carlos I e da República.
 

NUMISMA LEILÕES n.º 118, dia 26 de junho de 2019

É já no próximo dia 26 de junho, a partir das 14:30 Horas, que a Numisma Leilões vai realizar em Lisboa, no Jupiter Lisboa Hotel, o leilão 118, que constitui a terceira parte da importante Coleção Fado, pertencente a um antigo Associado da SPN, já falecido. Serão levados à praça 717 lotes de moedas romanas, hispânicas, visigodas e, naturalmente, de Portugal e do estrangeiro, bem como medalhas e bibliografia numismática onde, como é timbre nestas iniciativas da empresa dos irmãos Sáez Salgado nos deparamos com espécimes numismático de altíssima raridade e relevante interesse histórico e patrimonial. Uma chamada de atenção também para a elevada qualidade do estado de conservação da generalidade dos exemplares, como se poderá verificar através do manuseamento do atraente catálogo, onde se encontram ilustrados todos os lotes.

O leilão inicia-se com um diversificado conjunto de lotes de moeda romana (1-38), hispânica (39-50) e visigoda (51-54), onde temos forçosamente de mencionar o magnífico exemplar cunhado em SIRPENS (50) que aguçará o “apetite” dos colecionadores mais exigentes e, por certo, de algumas instituições nacionais e estrangeiras.

O núcleo central desta venda pública é a numária do “Mundo Português” (55-558) com abre com um bom e diversificado conjunto de dinheiros dos primeiros reis, de Sancho I a Pedro I (55-86), seguido por um valioso núcleo de moedas fernandinas (87-104), onde sobressaem o Meio Real, FR (88), o Tornês de Busto, LIS-BOA (89) e as Meias Barbudas do Porto (100) e Milmanda (101).

Da Dinastia de Avis, os numismas que mais nos impressionaram foram: o belo Real de 10 Soldos, do Porto (106) e o raro Meio Real Atípico, P/P-O (118), ambos de João I; o Leal de Afonso V (135), que é uma das mais raras e cobiçadas peças deste leilão, bem acompanhada por um também raro Real Grosso, de Toro (136); merecem ainda o nosso destaque, o valioso Meio Justo, de João II (151), o afamado Ceitil manuelino com legenda arábica (183), que muito raramente aparece em leilões, e o também raro Tostão de António Prior do Crato (294); entre o numerário da Dinastia Filipina, não podem ser ignorados o Tostão (297) e o Meio Tostão (299), cunhados em Lisboa por Filipe I, os dois de especial raridade; na 4ª Dinastia, são dignos de relevo um Tostão, raríssimo, de Afonso VI (328), que integrou a antiga Coleção Alexandre Barbas, leiloada na SPN, a rara e valiosa Dobra, de 1728, de João V (358), e a belíssima Peça, de 1802 (Jarra), de João Príncipe Regente (372).

Entre o numerário português de Angola o nosso destaque vai para as 12 Macutas (393) e a Macuta (398), de 1762, de José I, para a Macuta, de 1783, de Maria I e Pedro III (406) e para a também rara Macuta, de 1816, com a contramarca “Escudete Coroado”, de Pedro V (413).
 
A Índia Portuguesa está presente nesta venda por extenso e valioso conjunto de lotes (414-505), onde avultam numismas de muito interesse e raridade como: as Rodas de 1 Bazaruco, G-A, de Filipe II (426-27), não referenciadas no catálogo de Alberto Gomes; as 2 Tangas, de 1633, A-M/D-M (429), cunhada em Goa para Malaca, durante Filipe III, os São Tomé de 5 e 10 Xerafins, de Goa e Dio, do tempo de João V (446-47 e 467); de José I, o nosso realce vai para as moedas áureas de Goa (471-75) e para o raríssimo São Tomé de 5 Xerafins, de Damão, com data de 1755 (487); João VI está muito bem representado com o São Tomé de 12 Xerafins, de 1819, de Goa (495) e o curiosa e raro Pardau, de 1818, de Goa (496); por último, nas emissões luso-indianas, uma menção especial para conjunto de invulgares ensaios de Maria II (502-03) e Luís I (504-05).

Das outras antigas colónias portuguesas presentes neste leilão, devemos referir, para Moçambique, o exemplar de 30 Réis, M-E, de João V (506) e o pouco vulgar Canelo 1843, não contramarcado, de Maria II (517). O conjunto ultramarino encerra com um grupo de fichas de Moçambique e São Tomé (554-58).

A venda prossegue com moedas estrangeiras em vários metais (559-67), emissões especiais da INCM (568-78), ações (579-87), dois importantes pratos de moedas, de possível fabrico em Nuremberga (588-89) e um bom número de medalhas portuguesas (590-602). Será que a presença continuada de medalhas em diversos leilões importantes, auguram o ressurgimento do gosto pelo colecionismo destes artefactos? Espera-se bem que sim!

Finalmente, uma palavra para o bom conjunto de publicações de numismática (663-716), muitos com atrativas encadernações e onde pontificam algumas preciosidades, e para os dois interessantes moedeiros que pertenceram ao antigo Banco Pinto & Sotto Maior, do Porto (717).

As nossas felicitações e os votos do maior sucesso à Numisma Leilões por mais este 118º Leilão, a bem da Numismática Nacional.
Rui M.S. Centeno
 

RECENSÃO

A monumental coleção de medalhas de Don José María Ramón San Pedro, banqueiro e grande defensor da monarquia espanhola, tendo sido conselheiro de D. Juan de Bórbon, é considerada a melhor de Espanha. A maior parte esteve patente ao público numa exposição realizada no ano passado no Museu da Casa da Moeda, em Madrid. Intitulada “Imago Regis” apresentava medalhas representativas de quase 500 anos de história da monarquia de Espanha, de Carlos I a Felipe VI.

O livro/catálogo que é objeto desta recensão foi editado em 2017 e mostra uma parte da coleção, que corresponde aos períodos entre os reinados de Carlos II e Carlos III. Trata-se do segundo de três volumes – o segundo volume foi o primeiro a ser publicado – e conta com a edição científica de dois grandes nomes da numismática e medalhística espanhola: Isabel Rodríguez e Alberto J. Canto García. A obra apresenta 798 peças que correspondem a um período histórico com início no reinado de Carlos II de Espanha (1666) até à morte de Carlos III (1788).

A obra destaca peças de grande raridade e que, em alguns casos, se podem considerar exemplares únicos. Estão neste conjunto as medalhas que assinalam as proclamações de Luis I em San Filipe el Real, de 1724, e de Carlos III, em Granada, de 1759, ambas de prata. Também relevantes e raras são as medalhas que assinalam a proclamação de Madrid deste monarca, cunhadas entre 1760 e 1774. Diz a obra que as medalhas da proclamação foram utilizadas como peças de representação do reino até 1775.

A coleção não apresenta apenas medalhas espanholas. Aliás, mais de metade das peças referidas neste volume são europeias, que, como se refere no livro, foram selecionadas pelo colecionador por vários critérios, mas principalmente pela sua relação com a história de Espanha ou por estarem relacionadas com grandes sucessos ou figuras que marcaram o continente europeu. Áustria, França, Inglaterra e Itália são os países mais bem representados na coleção, existindo apenas duas portuguesas.

Tratam-se de medalhas cunhadas nos reinados de D. João V (1706-1750) e de D. José (1750-1777). A primeira, de 1716, apresenta o busto do rei vestido à romana. No anverso é possível ver um globo terrestre onde se distingue a Europa. A segunda, de 1775, assinala a reconstrução de Lisboa após o terramoto e a inauguração da estátua equestre de D. José I, que figura no verso da peça.
 
Os editores científicos do livro referem ainda uma outra medalha relacionada com Portugal, cunhada por ocasião do casamento entre os infantes de Espanha e Portugal, em 1785, e criada por José Gaspart, gravador principal da Casa da Moeda de Lisboa. A medalha regista os casamentos da infanta Dona Carlota com o príncipe do Brasil, D. João, e do infante D. Gabriel com Dona Maria Victoria de Portugal, que tiveram lugar nas cortes de Madrid e Lisboa em 27 de março e 12 de abril de 1785. Está incluída na parte das medalhas espanholas pois foi encomendada pelo embaixador espanhol em Lisboa.

 
Obra indispensável para conhecer uma parte da história da medalhística espanhola e também europeia, é um valioso contributo para todos os que se interessam por este tema. Estamos perante a “melhor coleção de medalhas, no seu período e género, existente em Espanha”, escreve o diretor do Museu da Casa da Moeda espanhola, Rafael Feria y Pérez, no prefácio do livro/catálogo.

Ficha:

Medallas de la Historia de España

Colleción José María Ramón San Pedro

Volumen II – De Carlos II a Carlos III

Juan Claudio Ramón

Isabel Rodríguez e Alberto J. Canto García (Edición científica)

Museo Casa de La Moeda, Madrid. 2017

 

Numisma Leilões n.º 116 - 12 de dezembro

Em 12 de dezembro, a partir das 11:00 Horas, decorrerá em Lisboa, no Jupiter Lisboa Hotel, o leilão 116 da Numisma Leilões, em que irão à praça 628 lotes de moedas gregas, romanas, hispânicas, visigodas e, naturalmente, de Portugal e do estrangeiro, assim como um assinalável conjunto de medalhas. Esta venda pública inclui um consideravel números de exemplares de alta raridade. para além de a generalidade dos lotes se apresentar em estado de conservação de nível elevado, facto que deve ser anotado, considerando a tendência cada vez maior, da parte dos colecionadores, por exemplares em estados de conservação superiores.

O início do leilão é marcado por um conjunto de lotes de moeda da Antiguidade Clássica (1-53), seguido por um seleto grupo de moedas hispânicas (54-64), todas presumivelmente cunhadas no território que hoje é Portugal, onde pontificam alguns exemplares que, de quando em quando, aparecem no mercado, mas não no estado de conservação que estes evidenciam, sendo os nossos preferidos, o lote 57, uma rara e bem conservada moeda de Cilpes, e o lote 64, um asse de Osonuba em invulgar estado de conservação, peça que despertará particular atenção aos aficionados pela numária da Hispãnia.

A numismática portuguesa (68-71) está também bem representada por um copioso naipe de moedas de grande qualidade e raridade, de difícil escolha mas as nossas preferências vão para: a sempre procurada numária doas três primeiros reis portugueses (68-70); as emissões fernandinas, em especial, as raras e valorizadas cunhagens da Corunha (93 e 102), de Milmanda (95-6 e 109), Samora (92 e 106) e Tui (103); o real de 10 soldos, L, IHAS (114), de D. João Regedor e Defensor do Reino, também deve ser referido, certamente, pela raridade mas, sobretudo, pelo excecional estado de conservação que evidencia; o muito raro tostão D-G, de D. Manuel I (170) e o cruzado Calvário, R-L, de D. João III (190) são dois lotes que estarão na miras dos grandes colecionadores; a partir de D. Pedro II começa a destacar-se a presença da amoedação de ouro, sobretudo de D. joão V (289-307), D. José I (318-28) e D.Maria I (329-39), numária que tem muitos apreciadores.

A numismática da antigas colónia portuguesas também está bem representada, com destaque para a Índia portuguesas, onde deparámos com verdadeiras preciosidades: de Angola devem referir-se os exemplares de 10 macutas de 1762 (376) e de 1/4 de macuta de 1771 (383), de D. José I, em elevado estado de conservação; da Índia são muitos os lotes raros e valiosos, como a 1/2 tanga, G-A/M-A, de D. Filipe I (409), o único conhecido patacão de 1631, G-A, de D. Filipe III (412), o S. Tomé de 5 xerafins 1680, G-A, de D. Afonso VI (423), a rara rupia de 1726, de D. João V (426), o S. Tomé de 2 xerafins 1766, de D. José I (437), o S. Tomé de 4 xerafins 1803, de D. Maria I (450) e, enfim, a raríssima peça de 12 xerafins 1840, de D. Maria II (461) que nos parece ser o exemplar que pertenceu à afamada coleção de J. Meili, leiloada em Amesterdão, em 23 de maio de 1910, correspondendo ao n.º 1836 do respetivo catálogo de venda (os pesos referidos nos catálogos da Schulman e da Numismas, 4,9 gramas, também são coincidentes), publicado pela histórica leiloeira J. Schulman; de Moçambique os nossos lotes preferidos são os de 2 1/2 e 1 1/4 meticais, de D. Maria II (476 e 477).

O leilão prossegue com um bom conjunto de lotes de moeda estrangeira (480-504), onde o ouro é preponderante, encerrando um expressivo grupo de medalhas, repartidas por medalhas religiosas (505-34), medalhas portuguesas (535-98) e papais (599-628), peças que animarão o importante sector do colecionismo numismático, que parece estar em fase de ressurgimento.

Uma palavra ainda para o catálogo impresso deste leilão que parace cofirmar a adoção do novo formato e aspeto gráfico introduzido no leilão n.º 114, apresentando fotos ampliadas, com grande qualidade, dos lotes de maior relevância. Detetámos apenas um lapso no catálogo, na pág. 40, lote n.º 231, correspondente a um Tostão, Lisboa, 1º tipo, de D. Sebastião, onde se apresenta a foto repetida do lote n.º 223, um vintém, R-P, Porto, de D. João III.

O nosso agradecimento à Numisma Leilões por mais esta iniciativa, a quem endereçamos as nossas felicitações e os votos dos maiores sucesso, a bem da Numismática Nacional.

Rui Centeno
 

Cruz Vermelha de Mérito para a A.F.P.

A Academia Falerística de Portugal acaba de ser galardoada pela Cruz Vermelha Portuguesa com a Cruz Vermelha de Mérito, em cerimónia realizada na sede da CVP, no Palácio do Condes de Óbidos, em Lisboa, ontem dia 22 de Novembro, por ocasião da inauguração do novo espaço do Núcleo Museológico da Cruz Vermelha Portuguesa, na Sala Henry Dunant, do Palácio do Conde d’Óbidos.
As insígnias e o respectivo diploma foram entregues ao Presidente da Direcção Prof. Doutor Humberto Nuno de Oliveira, pelo Dr. Francisco George, mui Ilustre Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa.

Assistiram à cerimónia o Presidente da Mesa da Assembleia Geral da A.F.P. – Dom Vasco Telles da Gama e, vários Académicos.

CEO da Numisma Javier Sáez Salgado foi agraciado pela Cruz Vermelha Portuguesa com a Cruz Vermelha de Mérito.

Durante a cerimónia foram ainda entregues condecorações da Cruz Vermelha a personalidades que apoiaram a reorganização do Arquivo Histórico da CVP.

Assim, foram igualmente condecorados vários Académicos, designadamente, Paulo Jorge Estrela, D. Segismundo Empis de Bragança e João Pedro Teixeira, com a Cruz Vermelha de Benemerência; Humberto Nuno de Oliveira, Com. João Bellém Ribeiro, Paulo Silva Santos, Diogo de Bragança Mascarenhas Cassiano Neves, Javier Sáez Salgado e Diogo Leão, com a Cruz Vermelha de Mérito, e Thomas Antonius Bernhard Hall de Beuvink, com a Medalha de Agradecimento da Cruz Vermelha Portuguesa.

 

Uma viagem no tempo com os irmãos Dias



Uma ficha com a legenda DIAS Casaes Gallegos / 10 made in Germany é o ponto de partida. Casaes Gallegos – hoje Vila Moreira – é o epicentro desta história. Manuel e Joaquim Dias e também Jocelino Ribeiro são os protagonistas. Tudo começou em 1970 quando tive conhecimento da ficha que os irmãos Dias cunharam e fizeram circular na sua rede comercial e em alguns lugares da região de Alcanena, onde se situa a Vila Moreira.

Uma investigação mais aprofundada, que incluiu uma consulta à Biblioteca Nacional, ao Anuário Comercial de Portugal e a uma edição do jornal Soma e Segue de junho de 2013, colocou-nos na pista certa. O jornal foi a peça que faltava para terminar o puzzle

Naquela edição foi publicado um texto dos alunos da EB1 de Vila Moreira, com a colaboração de  Jocelino Ribeiro através do qual se confirmou a cunhagem de uma moeda na Alemanha e a importante actividade comercial dos irmãos Dias da Silva na sua terra, então denominada Casaes Gallegos.

Há dois anos foi possível reconstruir a história dos irmãos Dias. Como? Graças ao estudioso e investigador Jocelino Ribeiro, um conhecedor da história de Vila Moreira, à qual dedicou um opúsculo publicado em 2015. Jocelino foi o nosso cicerone pelos edifícios que faziam parte da rede comercial dos irmãos Dias e “contador” de muitos episódios destes irmãos, em especial do mais velho, o Manuel.

Uma taberna que foi uma escola política

E que episódios são esses? Um misto de empreendedorismo, arrojo, generosidade e dedicação. Eis como Jocelino Ribeiro descreve a história de Manuel Dias da Silva.

“Manuel Dias da Silva foi uma figura chave da história de Casaes Gallegos (Vila Moreira) entre o início do século XX e os anos quarenta. Nasceu em 1879, veio a falecer em 1952. Homem dinâmico, espontâneo e inovador, aplaudido por muitos dos seus conterrâneos, embora também criticado por alguns. De descendência humilde, iniciou--se no comércio como merceeiro de fracos recursos, jamais deixando de subir na vida. Foi taberneiro, armazenista de vinhos e em simultâneo proprietário do “Café Central”, o primeiro da terra. De inesgotável energia, batalhador incansável, condutor de homens e educador, à sua maneira, claro, dos frequentadores da sua taberna, a qual por vezes virava “escola politica".

Dizia-se republicano e democrata, anticatólico decerto que era! Temos de o analisar à luz da época em que viveu. Este homem poderá ter sido controverso em alguns momentos mas, no seu “Café”, onde se podia comprar leite fresco diário, manteiga e bolos caseiros confecionados em sua casa, produtos provenientes da sua vacaria, também se podia ver e ouvir cantar o fado, por artistas vindos de Lisboa, que ele próprio subsidiava no transporte e na alimentação, não se pagando mais por isso.

Tudo quanto fosse inovação ele estava sempre atento, para seu lucro, diziam os detratores, para cultura do povo, diziam os seus apoiantes. Foi assim com o “cinema”, foi ele que quis proporcionar aquilo que só nos grandes centros se via, através de empresários do cinema ambulante, ali na sua enorme garagem transformada em sala de espetáculos, com plateia amovível, sendo durante anos o encanto do povo.

Se alguém porventura não tinha dinheiro para o bilhete, o Manuel Dias abonava. Quando era anunciado um filme do “Tarzan” ou do “Robin dos Bosques”, era ver o rapazio ao portão à espera do Sr. Dias, ele chegava, contava as cabeças e distribuía os bilhetes. Era assim o Sr. Manuel Dias.

Foi regedor e posteriormente presidente da junta de freguesia. Mandou cunhar moeda e imprimir nota em papel (fichas), que fez circular na sua rede comercial e também em alguns lugares da região. Tudo isto ele executava com a anuência do seu irmão sócio, Joaquim Dias da Silva, que sempre o apoiou nas suas ideias e iniciativas.

Manuel Dias e seu irmão, foram industriais de curtumes e a sua fábrica foi a primeira a ser mecanizada num universo de quatro dezenas de unidades existentes. Foi ainda empresário agrícola, dono de várias pequenas propriedades. Adquiriu ainda uma grande propriedade em S. João da Ribeira e tinha camioneta para transporte de produtos entre as várias propriedades. Contíguo ao edifício do café possuía um enorme pátio, onde tinha instalado um armazém, um lagar de azeite de duas prensas e a garagem já atrás referenciada. Além disso também os edifícios, onde estava instalada a taberna e uma pequena adega, eram seus. Na sua mesa havia sempre cerca de quinze comensais, entre familiares, afilhados, empregados e criadas de casa. Não deixou descendência direta.

Uma pista de aviação

Na esfera social e cultural foi secundado por homens de valor intelectual, como Jaime Carvalhão Duarte, Joaquim dos Santos Ribeiro Júnior, Joaquim dos Santos Silva e outros. O seu automóvel estava à disposição de alguém que necessitasse de médico urgente ou uma ida ao hospital! Assim, trouxe até nós uma centena de “motards” do Moto Clube de Lisboa, um lote de ciclistas da Volta a Portugal, como Nicolau e outros. Um admirador seu, Manuel Gonçalves, que tinha um relacionamento com um oficial aviador, no Aéreo Clube de Portugal, convenceu o Manuel Dias a trazer aviões a Vila Moreira.

Para tal aventura era necessária uma pista de aterragem! Onde é que estava a dúvida? Manuel Dias mandou construir uma pista no seu terreno que possuía no planalto da Chã do Rabaçal. Foi assim que no dia 23 de Maio de 1939, a população local e das terras vizinhas viram as avionetas que inauguraram o campo de aviação de Vila Moreira, com a presença das autoridades locais e concelhias. Foi ponto de referência para a aviação civil nos anos seguintes, onde depois aterraram aviões de maior porte. Apesar do relato aqui escrito, também houve alguns infortúnios ao longo da sua vivência. Sofreu perseguições devido às suas ideias políticas e anticatólicas.

Os adversários não perdiam oportunidade para lhe culpar por atos que não cometeu. Esteve preso sem culpa formada, por ordem do administrador do concelho. Noutra ocasião, recebeu notícia via telégrafo que o seu automóvel, conduzido pelo seu parente e homem de confiança e onde seguiam o seu irmão Joaquim e o seu afilhado Vasco, fora colhido e arrastado pelo comboio numa passagem de nível na linha do Norte.

Devido ao rápido raciocínio de Joaquim Dias, que conseguiu puxar para fora do veículo os restantes ocupantes, não houve vítimas. Viu ainda uns anos depois, o armazém onde guardava a forragem para o gado ser consumido por um incêndio.

Esta é a biografia possível do homem que com uma vida cheia de episódios, que sempre soube reagir positivamente aos momentos menos bons que marcaram a época em que viveu. Sempre que punha em prática uma inovação, o povo e a terra ficavam mais ricos!”.

Termina assim uma história certamente desconhecida de muita gente da região de Alcanena. Tudo por causa de fichas e cédulas, que circularam como moeda, de uma família de comerciantes.

Jaime Sáez Salgado

Moeda de 10 centavos liga de zinco-prateado DIAS CASAES GALLEGOS

Cédula de papel de 1 Centavo

Cédula de papel de 10 Centavos

Numisma Leilões anima a rentrée do mundo numismático



É já no próximo dia 11 de outubro, a partir das 10:30 Horas, que a conceituada empresa Numisma Leilões vai organizar o seu centésimo décimo quinto leilão em Lisboa (a decorrer no Jupiter Lisboa Hotel, Avenida da República, 46), em que serão leiloados 724 lotes de moedas do Mundo Clássico, de Portugal e estrangeiras, bem como um assinalável conjunto de medalhas e diversa bibliografia numismática. Como título do leilão sugere —"Moedas de ouro de Portugal e Estrangeiras. Coleção Príncipe Real"—, é muito significativo o número de lotes de moeda de ouro, sendo algumas de grande raridade.

Nesta notícia cabe ainda uma referência ao catálogo impresso do leilão em apreço que segue o novo formato e aspeto gráfico introduzido no leilão n.º 114, mas significativamente melhorado, apresentando agora úteis fotos ampliadas dos lotes mais importantes e os títulos separadores das diferentes númárias, retomando-se assim uma boa tradição dos anteriores catálogos publicados pela Numisma Leilões. Em nossa opinião, o único ponto menos positivo do catálogo reside na não reprodução à escala 1:1 das fotos das moedas, talvez explicada pela opção de ilustrar quase todos os lotes, o que seria difícil de compatibilizar com uma apresentação das fotos à escala natural, considerando as limitações de espaço para fotos no novo arranjo gráfico.

O leilão abre com um extenso núcleo de moedas da República e do Império Romano (n.º 1-114), merecendo aqui uma palavra particular, algumas dos áureos, como o de Augusto com Caio e Lúcio Césares no reverso (n.º 14), o do apreciado imperador Trajano (n.º 24) e bonito exemplar de Marco Aurélio (n.º 31). Os aficionados pela numária romana têm ainda a possibilidade de licitar mais de cinco dezenas de lotes com diversas moedas, em geral, em bom estado de conservação (n.º 55-110).

A moeda visigoda também está bem representada com 29 lotes, onde se destaca o raríssimo e muito bem conservado triente de Suintila (621-31), cunhado na cidade de Bracara (lote n.º 135). Este exemplar com busto no anverso e reverso do tipo "Hispalense A", da tipologia estabelecida por Ruth Pliego (La moneda visigoda, I, Sevilha, 2009, pág. 161), apresenta, respetivamente as legendas +SVINTILA REX e BRACARA PIVS (todos os "A" sem travessão e o "S" de Pivs deitado), combinação não registada em qualquer das obras de referência sobre moeda visigoda (Miles, CVS; Cores, CNV; e Pliego, MV). Tal circunstância é reveladora da excepcional raridade e interesse desta moeda que, espera-se, venha enriquecer alguma coleção pública ou privada nacional.

A numária portuguesa que, naturalmente, o maior peso neste leilão (n.º 144-510), abre com um belo morabitino de Sancho I (n.º 144), logo seguido por um bom conjunto de espécimes das diferentes dinastias, onde a moeda de ouro tem um papel relevante. Entre o material da 1ª dinastia os nossos destaque vão para algumas moedas do reinado de Fernando I, como os dois torneses de escudo M (n.º 161) e Ç-A (n.º 162), a barbuda PORT (n.º 171) e a meia barbuda M (n.º 176); já na 2ª dinastia o realce vai para o espadim ou meio justo de João II (n.º 215), exemplar muito raro e em muito bom estado de conservação, assim como o meio São Vicente PO de João III (n.º 232) e os 500 reais (coroa fechada) de Sebastião I (n.º 252).

A magestosa numária joanina marca o início da 2ª sessão desta venda pública com um invulgar conjunto de exemplares: uma soberba dobra de 1730 B (escudo itálico) (n.º 302), secundada por dobrões de 1725/6/7 M (n.º 296-99), de algumas outras dobras raras de 1727 B (n.º 301), 1729 R (n.º 307) e 1730 R (data emendada 30/29) (n.º 302), em elevado estado de conservação.

Mas os aficionados na numária (sobretudo de ouro) da 4ª dinastia têm ainda ao dispor outros lotes de grande qualidade, do reinado de José I (as peças dos lotes 346-49), de Maria I e Pedro III (a rara meia peça de 1780 B, lote 361; ou uma curiosa peça de platina, 1778 R, lote 362), de João VI a fantástica peça de 1820, lote 385) e de D. Maria II (a peça de 1833, lote 402; o dobrão de 1726 M contramarcado com o escudo coroado, lote 406). Os lotes repeitantes à numismática nacional encerram com um núcleo de lotes com moeda diversa da Monarquia e da República, cuja presença é sempre aliciante para quem se está a iniciar neste tipo de colecionismo.

Um grupo de lotes reservados a moedas da Ordem de Malta (n.º 511-21) e estrangeiras (n.º 522-41), em ouro, antecedem um extenso conjunto de medalhas (n.º 542-704) religiosas, militares e comemorativas, portuguesas e estrangeiras, sendo o lote n.º 577 o nosso preferido, com uma estimanda medalha de prata, dedicada pela cidade do Porto a D. João, Príncipe Regente, no ano de 1799. O leilão termina com uma seleta bibliografia numismática a preços-base muito acessíveis (n.º 705-24).

Umas palavras finais de apreço e de felicitações à Numisma Leilões por esta nova iniciativa que vem contribuir para animar o mercado numismático nacional.

Rui Centeno

"Uma moeda Sueva no Top10 Sixbid – Julho 2018 – vendida pela Numisma S.A - Portugal"

CEO da Numisma integra assembleia geral da APLARTE

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Ouro, diamantes e platina a caírem do céu? Não é possível, dirão os menos avisados. Mas foi isso mesmo que aconteceu na quinta-feira, 16 de março, em Yakutsk, na Rússia. Uma avaria numa das portas levou um avião a perder parte da sua carga preciosa, que ficou espalhada ao longo de 25 quilómetros.

O avião transportava uma carga avaliada em 300 milhões de euros e tudo aconteceu quando o aparelho descolou. Uma das portas caiu e começou a “chover” ouro, diamantes e platina oriundos da Iacútia, uma região conhecida pela indústria de metais preciosos.

A população local não perdeu tempo e tentou a sua sorte, procurando a carga preciosa, mas as autoridades também se apressaram a procurar o tesouro, tendo fechado a pista de onde o avião descolou.

Uma “chuva” de ouro e diamantes

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Ouro, diamantes e platina a caírem do céu? Não é possível, dirão os menos avisados. Mas foi isso mesmo que aconteceu na quinta-feira, 16 de março, em Yakutsk, na Rússia. Uma avaria numa das portas levou um avião a perder parte da sua carga preciosa, que ficou espalhada ao longo de 25 quilómetros.

O avião transportava uma carga avaliada em 300 milhões de euros e tudo aconteceu quando o aparelho descolou. Uma das portas caiu e começou a “chover” ouro, diamantes e platina oriundos da Iacútia, uma região conhecida pela indústria de metais preciosos.

A população local não perdeu tempo e tentou a sua sorte, procurando a carga preciosa, mas as autoridades também se apressaram a procurar o tesouro, tendo fechado a pista de onde o avião descolou.

CEO da Numisma nos órgãos sociais da SPN – Sociedade Portuguesa de Numismática - Porto

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O CEO da Numisma, Javier Salgado, é o novo presidente do Conselho Fiscal da Sociedade Portuguesa de Numismática (SPN) passando, assim, a fazer parte dos órgãos sociais desta instituição fundada em 1952.

Rui Centeno, como presidente da Direção, e Delfim Ribeiro, na presidência Assembleia Geral, são os nomes que lideram os outros órgãos. Todos foram eleitos no dia 27 de janeiro, para o biénio 2018-19.

Na mesma data a assembleia geral da Sociedade elegeu 10 novos Associados Titulares e entre os quais se contam Javier Salgado e Jaime Salgado, também da Numisma.

Rosa Mota, Souto Moura e uma águia imperial nas moedas da INCM



A atleta Rosa Mota, o arquiteto Souto Moura e uma águia imperial ibérica figuram nas moedas comemorativas que a Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) vai lançar durante este ano. Rosa Mota aparece nas moedas 30 anos após a conquista do ouro olímpico na maratona, em Seul e o arquiteto Souto Moura será retratado pelo arquiteto Siza Vieira.

A águia Imperial ibérica e o trevo de quatro folhas, integradas na série Espécies Ameaçadas, são outras das moedas que a INCM apresentará em 2018. Estas moedas promovem a preservação destas espécies e possuem uma componente solidária, pois parte da sua receita irá reverter para um fundo ambiental designado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

Ao todo são dez moedas comemorativas, correntes e de coleção, desenhadas por individualidades das artes visuais contemporâneas, tais como o designer Eduardo Aires, os escultores João Cutileiro e José Aurélio, ou os ilustradores João Fazenda e André Carrilho, dando relevo à arquitetura, à etnografia e ao desporto nacional, entre outros valores e temáticas da cultura portuguesa e internacional.

Em 2018, as moedas de coleção são dedicadas a Eduardo Souto Moura (série Arquitetura Portuguesa), à campeã olímpica Rosa Mota (série Ídolos do Desporto), ao Centenário do Armistício da 1.ª Grande Guerra, aos Espigueiros (série Etnografia Portuguesa), ao Barroco (série Europa – Idades da Europa), à águia imperial ibérica e ao trevo de quatro folhas (série Espécies Ameaçadas), enquanto as moedas correntes assinalam os 250 Anos do Jardim Botânico da Ajuda e os 250 Anos da Imprensa Nacional.

Javier Conde Garriga Award 2017, for the work of numismatic research



"On January 15, 2018 it was unanimously agreed to award the Javier Conde Garriga prize for the year 2017 to the work in three volumes "Encyclopedia of Romanesque medieval coin in the Kingdoms of León and Castile (8th-14th centuries), written for more than eight years, and as a result of a research process of more than 37 years, with this prize recognizes the scientific rigor and the journey as a researcher of the aforementioned author.

Thank you for the support you have given to this project, to end up being a reality.

Grupo de Moneda Medieval / Medieval Coin Group"

Numismata Joaquim Ferraro Vaz recebeu o prémio Javier Conde Garriga em 1970 com a sua obra em 2 volumes, Livro das Moedas de Portugal. E já lhe tinha sido outorgado este prémio Javier Conde Garriga em 1966, em Barcelona, pela sua obra "Moedas de Timor".

Vaticano comemora Centenário das Aparições de Fátima com moeda

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Uma moeda de dois euros vai assinalar o Centenário das Aparições de Nossa Senhora de Fátima. A informação foi divulgada numa nota do Gabinete Filatélico e Numismático da Cidade do Vaticano.

A moeda, que será lançada no dia 5 de outubro, apresenta a imagem dos “três joveníssimos pastorinhos” diante da Basílica de Nossa Senhora do Rosário, evocando as figuras de Lúcia dos Santos e seus primos Francisco e Jacinta Marto, estes últimos canonizados pelo Papa Francisco a 13 de maio deste ano.

Com uma tiragem de 10 mil exemplares, a moeda tem um peso de 8,50g e diâmetro de 25,75 mm e foi esculpida por Orienta Rossi e gravada por Silvia Petrassi.

Ainda pode transformar escudos em euros

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Seis notas de escudo vão prescrever a 1 de janeiro de 2018 e o Banco de Portugal ainda aceita que sejam trocadas por escudos até ao final deste ano. As notas e as instruções para fazer essa troca estão disponíveis no site do Banco de Portugal.

As notas que vão “desaparecer” são as de 10.000 escudos com a imagem de Egas Moniz, as de 5.000 escudos com Antero de Quintal (chapa 2 e chapa 2A), os 1.000 escudos de Teófilo Braga, os 2.000 escudos com a imagem de Bartolomeu Dias e os 500 escudos com a efígie de Mouzinho da Silveira.)

As notas poderão ser trocadas nas Tesourarias do Banco de Portugal até ao dia útil anterior à data de prescrição. Na impossibilidade de troca presencial, pode enviar o numerário por correio registado, com valor declarado, para um endereço indicado no site.

No mesmo site estão já referenciadas mais cinco notas que prescreverão no final de fevereiro de 2022.

Em 2016, os portugueses ainda não tinham trocado 19,6 milhões de notas de escudo, o equivalente a 154,7 milhões de euros.

Gaveta “escondia” quase 200 moedas de todo o mundo



Um grupo de voluntários do National Trust britânico encontrou 186 moedas antigas que estavam escondidas numa gaveta no castelo de Scotney, na região de Kent. O conjunto abrange 25 séculos de história sendo a moeda mais antiga oriunda da Grécia e datada do século VII AC.

Na coleção existem peças de todo o mundo e 18 delas foram classificadas como raras por especialistas do Museu de Arqueologia de Londres. A maior parte da coleção é composta por moedas romanas, que vão desde o final do século II AC até o final do século IV.

As moedas foram encontradas pelos voluntários enquanto procuravam fotografias. As moedas terão sido reunidas durante o século XIX pelo coleccionadr Edward Hussey III e pelo seu filho Edwy.

As 186 moedas integram uma nova exposição que abriu ao público no castelo de Scotney no dia 4 de novembro e que estará aberta até 4 de fevereiro.

Esta moeda de ouro bate recordes



Chama-se Krugerrand, comemora o 50º aniversário este ano e é uma das moedas mais desejadas pelos colecionadores. Porquê? O seu valor tem vindo a subir de tal forma que se tornou num dos melhores investimentos na África do Sul.

Quem o diz é a Bloomberg, num artigo onde refere que esta moeda de ouro já bateu a performance dos mercados financeiros daquele país, a valorização do preço das casas e até o preço da onça de ouro em dólares.

Originalmente vendida por 35 dólares em 1967, vale hoje cerca de 1200 dólares. O preço do ouro e a depreciação da moeda local foram alguns dos fatores que contribuíram para a sua valorização.

Maior moeda de ouro roubada em Berlim

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Uma moeda de ouro com 100 quilos e cunhada em 2007 pela Real Casa da Moeda do Canadá foi roubada esta semana do Museu Bode, em Berlim, na Alemanha. Trata-se da maior moeda de ouro do mundo e tem o valor nominal de um milhão de dólares.

Esta peça, que foi incluída no livro do Guiness em 2008, apresenta, numa das faces, o perfil da rainha Isabel II. Na outra está o símbolo nacional do Canadá: a folha de plátano. A moeda é uma série limitada e foi cunhada com ouro puro (99,99%).

O Museu Bode tem uma das maiores coleções de numismática do mundo.

Carlos Lopes, Siza Vieira e as Aparições de Fátima nas moedas da INCM

O herói do desporto nacional, Carlos Lopes, no ano do seu 70º aniversário,  o arquiteto Siza Vieira, retratado por Souto Moura, e o Centenário das Aparições de Fátima são algumas das Moedas Comemorativas que a Imprensa Nacional-Casa da Moeda tem previstas para 2017.

Este ano, pela primeira vez, vai ser produzida em Portugal uma moeda corrente colorida, alusiva aos 150 anos da Segurança Pública, bem como uma moeda de coleção que combina o metal e o acrílico, uma novidade numismática que procura recriar a ampla utilização do ferro e do vidro na arquitetura do século XIX (moeda de coleção Idade do Ferro e do Vidro – Série Europa - Idades da Europa).

As dez moedas foram desenhadas por individualidades das artes visuais contemporâneas, entre as quais, José de Guimarães, Eduardo Aires, André Carrilho, João Fazenda e Luís Filipe de Abreu, dando relevo à arquitetura, à etnografia e ao desporto nacional, entre outros valores e temáticas da cultura portuguesa e internacional.

Em 2017, as moedas de coleção são dedicadas a Álvaro Siza Vieira (série Arquitetura Portuguesa), ao campeão olímpico Carlos Lopes (série Ídolos do Desporto), à rainha D. Maria Bárbara de Bragança (série Rainhas da Europa), ao Centenário das Aparições de Fátima, aos Caretos de Trás-os-Montes (série Etnografia Portuguesa), às maravilhas naturais da ilha da Madeira (série Ibero-Americana), à Idade do Ferro e do Vidro (série Europa – Idades da Europa) e ao tema O Futuro (série Desenhar a Moeda), enquanto as moedas correntes assinalam os 150 Anos da Segurança Pública e do nascimento de Raul Brandão.

França comemora Rodin com moeda de Euros



A Monnaie de Paris comemora os 100 anos da morte do escultor Auguste Rodin com uma moeda de 2 Euros. O design é inspirado na sua obra mais famosa: O Pensador.

Trata-se de uma escultura em bronze feita em 1904 e que está exposta no Museu Rodin, em Paris. A moeda tem no anverso um pormenor desta obra e a cara do artista. No reverso apresenta o mapa da Europa.

Foram cunhadas 10 milhões de moedas que entrarão em circulação no dia 21 de fevereiro. A Monnaie produziu ainda mais 20.000 exemplares para colecionadores.

Um tesouro, um piano e a sorte de um afinador



O maior tesouro de sempre em moedas de ouro do Reino Unido foi encontrado no interior de um piano antigo doado a uma escola. A sorte de um afinador foi o azar do casal que teve o instrumento durante 32 anos.

Esta história tem três protagonistas e um acontecimento único. Os primeiros são o casal Megan e Graham Hemmings e o afinador de pianos Martin Blackhouse. O acontecimento é o maior tesouro numismático de sempre encontrado no Reino Unido: 913 Sovereigns (moedas de ouro do século XIX) encontradas no interior de um velho piano cedido pelo casal Hemmings a uma escola.

Durante uma inspeção de rotina, o afinador encontrou o tesouro que Meg e Graham nunca descobriram durante os 32 anos em que o piano esteve na sua posse. Após a descoberta apareceram mais de 50 pessoas a reclamar a propriedade do piano mas nenhuma delas convenceu a Justiça britânica, que decidiu distribuir o tesouro por museus.
 
As moedas têm um valor estimado de 500.000 libras (cerca de 600.000 euros). O afinador vai receber uma choruda recompensa e o casal Hemmings não receberá um tostão. Mas nem por isso está arrependido.

"Eu não me arrependo de não encontrar as moedas. Temos de celebrar o facto de que elas serão usadas para uma boa causa", disse Graham Hemmings quando o processo judicial chegou ao fim.

Novas moedas do Vaticano sem a figura do Papa



As mais recentes moedas de euro cunhadas para a cidade do Vaticano têm uma novidade:  a tradicional imagem do Papa é substituída pelo seu brasão de armas.

Estas moedas são cunhadas ao abrigo de um acordo entre a União Europeia e a Itália que prevê uma quota especial para o Vaticano. A primeira série anual de moedas papais entrou em circulação em 1 de março de 2002, com a imagem do Papa João Paulo II.

Desde 2002, esta é a quinta alteração no desenho do euro do Vaticano.

Moedas portuguesas e espanholas do século XVI na Namíbia

Português de D. João III semelhante aos encontrados na Namíbia.

O CEO da Numisma, Javier Salgado, esteve na Namíbia, em 2014, para colaborar com o Prof. Luís Filipe Thomaz no estudo das moedas encontradas a 1 de Abril de 2008 entre os despojos do “Bom Jesus”, um navio português do século XVI que naufragou em Oranjemund na costa daquele país africano.

Está para breve a publicação do catálogo “O tesouro de Oranjemunde”, uma edição bilíngue em português e inglês do Instituto de Investigação Científica e Tropical de Portugal e do National Museum of Namibia. À época Javier Salgado era membro do conselho científico do BESNUMISMÁTICA.

No navio foram encontradas 2333 moedas de ouro e prata, alguma delas portuguesas como, por exemplo, várias moedas do “Português “ de D. João III. Segundo o jornal Expresso as moedas de ouro portugueses valem cerca de 50 mil euros cada. São apenas 8% das moedas de ouro descobertas nas escavações mas valem 30% do total.

Prémio de moeda do ano vai para Itália

Uma moeda de prata de 10 euros de Itália e que assinala os 70 anos de paz na Europa ganhou o prémio de Moeda do Ano 2017.

A distinção será entregue a 4 de fevereiro na World Money Fair que se realiza em Berlim, na Alemanha.

Todas as moedas a concurso foram cunhadas em 2015.

Canadá lança moedas com formato inédito

Duas moedas com um formato que reproduz a bola de futebol americano são a mais recente novidade da Casa da Moeda do Canadá (Royal Canadian Mint). Estão disponíveis para colecionadores em prata e ouro. A primeira tem o valor facial de 25 dólares e segunda de 200.

Bahamas lança nota inédita



Três moedas de ouro antigas foram encontradas por arqueólogos durante escavações em Pompeia, num local que foi uma antiga loja.

A nota tem a imagem de um ex-ministro das Finanças, Sir Strafford Sands, que ajudou a criar a indústria do turismo nas Bahamas e ainda a de um farol emHope Town. O selo de segurança está nos dois lados da nota. Quando se inclina a nota há uma mudança de cores em alguns dos seus elementos.

Moedas de ouro antigas descobertas em Pompeia



Três moedas de ouro antigas foram encontradas por arqueólogos durante escavações em Pompeia, num local que foi uma antiga loja.

A loja estava situada nos arredores da cidade romana que, há 2000, ficou soterrada após a erupção do vulcão Vesúvio. As escavações neste local tiveram início em maio, tendo também sido encontrados um outro artefacto em ouro e um forno para fazer objetos em bronze.

Angola inaugura Museu da Moeda



A história da moeda angolana, desde o Nzimbu ao Kwanza, tem agora um local privilegiado: o Museu da Moeda, inaugurado no início de maio, construído abaixo do solo e que já se tornou numa referência arquitetónica na cidade Luanda.

O Museu é da responsabilidade do Banco Nacional de Angola (BNA) e já foi visitado por mais de 2000 pessoas. Situado na baía de Luanda, pretende dar a conhecer as moedas angolanas usadas nas transações comerciais desde o início da era colonial até aos dias de hoje.

Segundo o site do BNA falar das moedas que existiram antes do Kwanza é uma “uma autêntica viagem no tempo, com importantes e obrigatórias paragens”. Por exemplo, no Nzimbu, pequena concha ou búzio extraída das praias da Ilha de Luanda, ou no Libongo, pequeno pedaço de tecido de várias dimensões e qualidades, feito à base de fibras da palmeira-bordão.

O Museu da Moeda dispõe de uma sala de exposições permanentes e de um auditório com 209 lugares.

Apollo 11 vai ter moeda comemorativa



A Câmara dos Representantes dos EUA aprovou a cunhagem de uma moeda comemorativa dos 50 anos da missão Apollo 11, que se assinalam em 2019. A decisão terá agora de ser ratificada pelo Senado.

O projeto prevê a cunhagem de moedas em ouro e prata que terão, numa das faces, a reprodução de uma foto onde se vê refletida a bandeira dos EUA no visor e numa parte do capacete do astronauta Buzz Aldrin.

A Apollo 11 foi a primeira missão tripulada do programa Apollo que aterrou na Lua, em 20 de julho de 1969. Era constituída pelos astronautas Neil Armstrong, Edwin ‘Buzz’ Aldrin e Michael Collins.

“Casa da Moeda” dos EUA debate hobby da numismática



A United States Mint organiza no dia 13 de outubro, em Filadélfia, um encontro para debater o passado, o presente e o futuro do hobby da numismática. A iniciativa servirá também para debater o futuro desta instituição, que fará 225 anos em 2017.

A United States Mint, hoje integrada no Departamento do Tesouro do EUA, é responsável pela produção da moeda corrente, fabricando também moedas comemorativas.

Moedas com mais de 2000 anos apreendidas na Índia



As autoridades indianas anunciaram que oito das 539 moedas antigas apreendidas em operações realizadas em outubro do ano passado e já em janeiro último têm mais de 2000 anos.

As informações foram divulgadas na semana passada após o Archaeological Survey of India (ASI) ter confirmado que as moedas tinham um grande valor histórico, sendo algumas delas da era indo-grega.

As 539 moedas foram apreendidas pelos serviços alfandegários da Índia a pessoas que viajavam por estrada e comboio do Paquistão para território indiano.

Moedas com 1600 anos encontradas em Israel



Moedas com as imagens de dois imperadores romanos rivais, Constantino e Licínio, foram descobertas, em Israel, num navio submerso junto a um porto antigo da Cesárea.

A notícia foi divulgada pela Autoridade de Antiguidades de Israel que classificou a descoberta como o maior conjunto de objetos descobertos no fundo do mar nas últimas três décadas. Além das moedas, foram também encontradas estátuas de bronze, âncoras de ferro e madeira e jarras.

As moedas têm a imagem do imperador Constantino, o Grande (274-337) e do seu rival Licínio, imperador que governou a parte leste do império Romano entre 308 e 324.

Museu do Dinheiro abriu portas em Lisboa



Tem um espólio avaliado entre 10 a 12 milhões de euros, 1200 peças em exposição e conta a história do dinheiro. Interativo, recorre à tecnologia multimédia para mostrar o seu acervo. Chama-se Museu do Dinheiro, é do Banco de Portugal e está situado na antiga Igreja de São Julião, em Lisboa. A entrada é livre.

O museu conta a história do dinheiro em todos os seus aspetos – desde a cunhagem à contrafação - e está dividido em nove núcleos: tocar, trocar, convencionar, representar, narrar, fabricar, ilustrar, testemunhar e revelar.  No núcleo tocar, por exemplo, e de acordo com o descrição no site do Museu, existe uma barra de ouro (acessível ao tato) que é enquadrada pela porta da antiga casa-forte do ouro e contrasta com a imagem “desumana” da exploração mineira no garimpo brasileiro, projetada sobre uma tela de grande formato.

Um outro exemplo: no núcleo fabricar encontramos uma sala “dedicada ao ciclo e à história da produção do dinheiro, descobrem-se minérios, máquinas, chapas de impressão, esboços e desenhos artísticos que estão na origem das moedas e das notas. Os temas aqui abordados vão do conhecimento dos sofisticados sistemas de garantia fiduciária até à visualização microscópica das fibras que compõem as notas”.

O museu tem 1200 objetos em exposição e uma área de 2000 metros quadrados. Dispõe de 140 vitrinas e 12 experiências interativas. No mesmo espaço é também possível apreciar uma parte da Muralha de D. Dinis, descoberta em 2010 nas escavações arqueológicas realizadas durante a remodelação da sede do Banco de Portugal.

Visite aqui o Museu do Dinheiro. www.museudodinheiro.pt

Milhares de moedas Romanas encontradas em Sevilha



As moedas estavam depositadas em 19 ânforas e foram descobertas durante umas obras que decorriam num parque em Tomares, a 10 quilómetros de Sevilha. Têm no anverso a figura dos imperadores Maximiano ou Constantino e no reverso diversas alegorias romanas, como a abundância, disse a diretora do museu, citada na imprensa espanhola.

A maioria das moedas são de bronze mas há também algumas banhadas em prata. A maioria “está em flor de cunho” afirmou Ana Navarro. Os 600 quilos de moedas estão depositados no Museu Arqueológico de Sevilha e os primeiros trabalhos centram-se na sua limpeza e estabilização em matéria de conservação.

Seguir-se-á a respetiva catalogação, ficando depois à disposição dos investigadores especializados no período da Antiguidade, antes da sua provável exposição ao público. As moedas são dos séculos III e IV depois de Cristo.

Esta não é a primeira vez que são descobertos tesouros históricos na região. De acordo com o jornal El Correo de Andalucia há 58 anos anos foi encontrado no município de Camas, a três quilómetros de Sevilha, o Tesouro del Carambolo, um conjunto de peças de ouro e cerâmica de origem fenícia.

INCM lança nove moedas comemorativas em 2016



Eusébio, o Museu do Dinheiro, o Cante Alentejano, o Lince Ibérico, a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e a Ponte 25 de Abril são alguns dos temas das moedas comemorativas que a Imprensa Nacional-Casa da Moeda lançará em 2016.

O plano para este ano foi apresentado no último dia de março e marca uma viragem na prática seguida até hoje. Em 2016, pretende-se dar relevo “a valores e temáticas da cultura nacional e universal, ajustadas aos tempos modernos, representando a criatividade e a excelência das artes visuais portuguesas", afirmou a INCM em comunicado.

Além de novas temáticas, a empresa convidou também artistas como Joana Vasconcelos e André Carrilho para conceber algumas das moedas do plano. A primeira assina a moeda que assinala a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos e o segundo a que é dedicada a Eusébio.

O movimento intelectual do Modernismo, no qual participaram entre outros, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Eduardo Viana e Mário Eloy, a rainha D. Catarina de Bragança, que se casou com o rei Carlos II de Inglaterra, que surge no âmbito da série “Rainhas da Europa” e o Figurado Cerâmico de Barcelos, na série “Etnografia Portuguesa”, são outras moedas a emitir no âmbito do plano.

Moeda rara portuguesa em nau de Vasco da Gama

Uma “extraordinária moeda rara chamada Indio” encontra-se entre os objetos retirados dos destroços de uma nau que se pensa ser de Vasco da Gama descoberta ao largo de Omã. É a Blue Water Recoveries (BWR), empresa britânica que trabalha na recuperação de embarcações naufragadas, que descreve a moeda como rara, afirmando que existe apenas uma no mundo.

“A extrema raridade da moeda é tal que tem o estatuto de moeda “perdida” ou “fantasma” de D. Manuel I”, afirma a empresa. A moeda terá sido mandada cunhar por D. Manuel I especificamente para o comércio com a Índia.

A BWR e o Ministério da Património e da Cultura de Omã são os responsáveis pelo projeto de recuperação dos objetos da nau, que se crê ser a Esmeralda, que fazia parte da armada da segunda viagem de Vasco da Gama à Índia, em 1502.

A BWR criou um site específico para o projeto onde estão disponíveis informações e vídeos sobre todas as operações. A nau foi localizada em 1998 mas começou a ser estudada em 2013. Um conjunto de vídeos sobre a recuperação dos objetos, entre os quais a moeda, pode ser visto aqui.

500 quilos de moedas do tempo de Jesus

Um agricultor chinês encontrou no sábado, 27 de fevereiro, quase meia tonelada de moedas do tempo de Jesus, noticiou a imprensa chinesa. Estavam enterradas a cerca de 50 centímetros de profundidade e vão agora ser entregues a museus estatais.

A descoberta ocorreu quando o agricultor estava a fazer as fundações para a construção da sua casa. As moedas já foram analisadas por peritos locais em património. Concluíram que as são do tempo de Wang Mang, oficial da dinastia Han.

As moedas foram encontradas e Xingping, na província de Shaanxi e a família do agricultor já tinha descoberto 80 quilos de moedas semelhantes. Há cerca de um ano um outro agricultor descobriu 60 quilos de moedas com cerca de 1000 anos.

Banco Central do Brasil lançou 36 moedas para os Jogos Olímpicos

O Banco Central do Brasil lançou na sexta-feira, 19 de fevereiro, o quarto e último conjunto de moedas comemorativas do plano numismático dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, que se realizam na cidade do Rio de Janeiro. No total foram lançadas 36 moedas.

Neste último conjunto de nove moedas uma é de ouro, quatro são de prata e outras quatro são de circulação comum. A moeda de ouro (na foto) homenageia o Cristo Redentor e a Tocha Olímpica, símbolo dos Jogos que percorre diversos países até chegar à cidade-sede, onde acende a pira, dando início às competições.

As moedas de prata homenageiam o Rio de Janeiro e as de circulação comum trazem dois dos desportos em que o Brasil tem esperanças de medalha em 2016 - boxe olímpico e natação paralímpica – e apresentam as duas mascotes: Vinicius, a mascote Olímpica, e Tom, a Paralímpica.

Segundo informação publicada no site da instituição todos os projetos de moedas foram desenvolvidos pelas equipas do Banco Central e da Casa da Moeda do Brasil, com o suporte técnico do Comité Organizador dos Jogos Olímpicos. As moedas são produzidas pela Casa da Moeda do Brasil.

Esta poderá ser a mais antiga nau portuguesa descoberta

Ilustração da armada de Vasco da Gama de 1502, no “Livro de Lisuarte de Abreu”
 
O Ministério do Património e da Cultura de Omã anunciou ontem ter encontrado Esmeralda, quase 20 anos após a primeira expedição ao largo da ilha Al Hallaniyah.

David L. Mearns, responsável pela empresa britânica Blue Water Recoveries, procura em Lisboa um português chamado António Camarão. Estávamos em 1997 e em causa estava Esmeralda, nau da armada de Vasco da Gama a caminho da Índia, que terá naufragado em 1503. Era comandada por Vicente Sodré. Também São Pedro, nau comandada pelo irmão de Vicente, Brás, terá submergido ao fundo do mar na mesma altura.

Mearns queria saber onde estavam as embarcações. Em 1998 desceu com dois mergulhadores ao fundo do mar. Ontem, o Ministério do Património e da Cultura de Omã confirmou a descoberta das duas embarcações.



Os navios foram encontrados ao largo da ilha Al Hallaniyah. Mas só hoje terá lugar a conferência de imprensa em torno da descoberta que, a verificar-se, “antecede o naufrágio ibérico mais antigo em 30 a 50 anos”.

Já Filipe Castro, professor de Arqueologia Subaquática na Universidade do Texas A&M, afirma que, a confirmarem-se as informações ontem veiculadas, Esmeralda “será a nau portuguesa mais antiga descoberta até agora ganhando, por isso, uma enorme importância”.

O académico avisa, contudo, que este tipo de descobertas, “quando caem assim de repente na imprensa, nove em cada dez vezes é mais um navio do Colombo”. Todavia, afirma que não lhe parece inverosímil que se trate de facto de Esmeralda e dos seus já anunciados 2800 artefactos descobertos.

Entre os mais importantes, está um disco de liga de cobre com o brasão real e uma esfera armilar, emblema pessoal de D. Manuel I, um sino de bronze que data o navio de 1498 , e uma raríssima moeda de prata - um Índio -, que o monarca terá mandado fazer e do qual só existirá mais um exemplar em todo o mundo. Tudo o mais saber-se-á na conferência de hoje em Mascate, cidade que, tomada por Afonso de Albuquerque em 1507, chegou a ser a maior base da armada portuguesa no Médio Oriente.

António Camarão, formado em História e com uma pós-graduação em Arqueologia Subaquática, recordou ao DN os dois anos a estudar o possível paradeiro dos navios: do Livro de Lisuarte de Abreu às obras de Diogo do Couto, do “arquivo histórico ultramarino, fundos reservados da Biblioteca Nacional, Torre do Tombo, arquivos da Índia, nomeadamente Goa, até informações dos otomanos”.

E descobriu o sítio do naufrágio. Acompanhado pelos mergulhadores Lyle Craigie Halkett e Alex Double, em 1998, via, no fundo do mar, “balas de pedra na superfície do recife, um prato em prata, ou um prumo, que deve ser o mais antigo encontrado até hoje”. Com Camarão fora do projeto a partir de 1999, as novas expedições só aconteceram em 2013 e nos dois anos seguintes.

“Os [irmãos] Sodré”, diz, “foram apanhados pela tempestade por teimosia. Os árabes avisaram que vinha mau tempo. Parte da esquadra passou para a costa este da ilha e safou-se. Eles não quiseram, porque era ali que costumavam ir os árabes e os chineses fazer tráfego de mercadorias”.