Morabitino - D. Afonso II (1211-1223)

 

A moeda de ouro do tipo Morabitino foi também batida pelos reis Afonso II e Sancho II de Portugal. Os motivos que terão levado o rei anterior, Sancho 1, a emitir a sua moeda de ouro terão tido em vista, além da afirmação da soberania, o desenvolvimento económico do País, para o qual o rei muito olhou. Lembre-se só que, para esse desenvolvimento, urgente e necessário, Sancho I passou, em pouco mais de 24 anos de reinado, cerca de meia centena de cartas de foral, que determinaram o título de Povoador, com o qual ficou na História. Por isso as emissões terão sido volumosas.

O seu ouro, numa moeda de renome e bem aceite por todos, terá sido bem distribuído, fomentando o desenvolvimento das feiras francas, tão faladas nos reinados seguintes.

 

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 Ao contrário, os extremamente raros morabitinos de D. Afonso II (talvez cerca de dez os conhecidos hoje) e o único existente de D. Sancho II, não deverão ter tido uma finalidade económica, para grandes transações, porque a dobra mourisca, ou duplo dinar, que aparece com o terceiro califa almóada, Abú-Yúsuf Yáqub, entre os anos de 1184 e 1199 C, depressa se impõe como moeda padrão, pelo seu ouro quase puro e por um peso médio de 4,55 g. Isto não tinha acontecido ao dinar almóada, de igual bondade mas com metade daquele peso (inferior, portanto, ao de qualquer morabitino), emitido pouco tempo após a queda dos Almorávidas, o qual aparece já mencionado no codicilo ao testamento do nosso primeiro rei, sob o nome, dado pelos cristãos, de "mozmodís" (ou moeda dos Masmudas, tribo de origem dos Almóadas), ao lado dos morabitinos maiores (depois apelidados de velhos) e dos morabitinos (correntes então, batidos pouco antes, em quantidade, por todos os reinos de Taifas, mas com menor peso e talvez pouco regulares no título).

Assim, os tardios morabitinos de Afonso II e de Sancho II, já ultrapassados como moeda universal pela Dobra dos Almóadas e mesmo por outras moedas cristãs, terão sido apenas testemunhos de soberania dos reis portugueses, batidos em quantidades muito aquém dos de Sancho I.

Daí a sua grande raridade e o apreço em que são tidos. Numisma apresenta nesta venda um morabitino do rei D. Afonso II de Portugal, muito perfeito e de bela gravura.